“Nosso papel é saber ouvir e nossa força é trabalhar de forma colaborativa” 

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A AENDA completa 39 anos em 2025, momento em que celebra a marca de 66 empresas associadas. O ano é de desafios em diferentes esferas, a exemplo da regulamentação das novas leis de Agrotóxicos (Nº 14.785/2023) e de Bioinsumos (Nº 15.070/24), da reforma tributária e da realização da COP30 no Brasil.

O Diretor Executivo da AENDA, Luís Ribeiro, conversou sobre as principais frentes de atuação da entidade e explicou como a associação se prepara para prover aos associados o melhor respaldo para suas demandas. Luís falou ainda sobre as razões pelas quais o setor de fitossanitários deve crescer nos próximos anos no Brasil. 

Como você avalia a trajetória da AENDA, em especial nos últimos anos? 

É uma grande satisfação estar dirigindo a entidade, sobretudo na sucessão ao Túlio Teixeira de Oliveira. 

Estamos crescendo bastante nos últimos anos, somos hoje 66 empresas filiadas. Tiramos o estigma de trabalharmos apenas com produtos pós-patente e demos boas-vindas a empresas que trabalham com inovação. Atualmente, já são mais de 20 empresas fabricantes de biológicos associadas.

Com a publicação das novas leis de Agrotóxicos, estabelecemos comitês internos para discussão de diversos temas relativos e reforçamos nossa equipe com mais uma profissional. Assim, participo com Gabriela Uliana e Jeferson Pezotti da nossa área de Agroquímicos; e, com Amanda Bulgaro e Leonardo Monteiro, compomos a equipe de Bioinsumos. 

Juntos, trabalhamos com muita transparência e agregamos nossa experiência para atender homogeneamente as empresas em suas demandas, independentemente de seu tamanho. Acredito que nosso trabalho em regulamentação é um ponto forte para as associadas, porque permite previsibilidade para a tomada de decisão consciente e assertiva em seus negócios.

Outro fator de destaque, que é reconhecido pelas associadas e pelo o setor, é a atuação da AENDA nos Estados, em especial o conhecimento sobre as especificidades das leis estaduais. Temos um extenso trabalho de assessoria nessas questões para nossas filiadas. 

Há perspectiva de crescimento para o setor de defensivos agropecuários no Brasil? 

A perspectiva é sempre de crescimento. No Brasil, por suas características de clima, o agricultor brasileiro planta em todas as estações. Para se ter uma ideia, podemos fazer 5 safras de feijão a cada dois anos. Plantamos o ano todo e isso é incomparável com outros países.

O clima tropical, entretanto, eleva a incidência de alvos biológicos que causam danos à agricultura, a exemplo de insetos-pragas e plantas daninhas. Por essa razão, o mercado está cada vez mais buscando soluções químicas e biológicas mais eficientes e mais seguras. O manejo das culturas bem realizado, com o produto de controle aplicado no momento correto é eficaz, mas certamente exige constante monitoramento e atuação de profissionais capacitados. 

Quais os possíveis entraves para o setor nos próximos anos?

O grande gargalo para o crescimento do mercado hoje é o custo de produção dos insumos agrícolas, em razão da variação do dólar. O produtor precisa equacionar essa questão para ter, na ponta, lucro em relação ao investimento necessário para a atividade. Nossa expectativa é que a reforma tributária permita que o custo de produção e aquisição de insumos agrícolas não onere o produtor e nem o produto final na prateleira do supermercado. 

As Leis de Agrotóxicos e de Bioinsumos ainda necessitam de regulamentação para que sejam aplicadas em sua totalidade. O que se pode esperar da atuação da AENDA em 2025?

É um ano de grandes desafios, que estão sendo enfrentados com empenho, estudo e debate para harmonização dos entendimentos jurídicos e a apresentação de propostas sobre a regulamentação de Agroquímicos e Bioinsumos. 

São diversas demandas, se considerarmos 66 empresas associadas, passando por cadastro de produtos nos Estados, questões de tributos e taxas, novas estratégias para relacionamento em esfera federal, estadual e municipal.

Nosso papel é saber ouvir e nossa força é trabalhar de forma colaborativa com Ministérios e Estados, outras entidades e associação de produtores.

Um dos temas aos quais estamos nos dedicando fortemente este ano é a necessidade de retirada dos produtos biológicos da relação de agrotóxicos, o que tem implicações legais e tributárias. 

Também buscamos prover o melhor entendimento sobre como cada Estado vai lidar com as novas leis em vigor e o seu impacto nas legislações estaduais.

A AENDA é reconhecida por seu trabalho em capacitação, seja no campo, seja na atualização dos profissionais que trabalham nas empresas associadas. 

Sem dúvida, e este é um importante ponto da nossa atuação este ano. 

Temos três forças-tarefas na AENDA dedicadas a promover trinta treinamentos em campo sobre as resoluções da Anvisa para aplicação de agrotóxicos. Também damos andamento em 2025 à nossa campanha de Boas Práticas, elaborada pelo Grupo Técnico de Boas Práticas Agrícolas da AENDA. O material está sendo utilizado pelos fiscais das Agências de Defesa Agropecuária Estaduais em ações de orientação aos produtores rurais e profissionais da agricultura sobre o uso correto de defensivos.

Além disso, temos uma agenda de workshops realizados na nossa sede, com possibilidade de participação presencial ou à distância, para atualização sobre temas regulatórios e jurídicos relevantes para nossos associados, com profissionais experientes e respeitados do setor. É nosso papel prover e compartilhar o conhecimento.

Como o setor deve se posicionar na COP30?

Temos grande expectativa em relação à COP30 e enxergamos como oportunidade de a agropecuária brasileira ser apresentada e reconhecida por suas especificidades e potencialidades. É um momento importante para essa demonstração clara e para a consolidação da nossa liderança em sustentabilidade.

A AENDA vai participar da Conferência em Belém (PA), acompanhar as discussões e dar sua contribuição técnica e regulatória em todos os fóruns em que sua participação for pertinente e necessária.

A AENDA está lançando um novo site institucional e, com ele, uma nova estratégia de comunicação com seus públicos. O que este momento representa e quais os principais objetivos nesse novo posicionamento?

Nosso objetivo é sempre aprimorar nossa forma de comunicar, seja por meio das diversas publicações de acesso exclusivo dos associados, seja pelo conteúdo desenvolvido para os demais públicos. O site é um canal direto de relacionamento e fonte para profissionais do setor, stakeholders, estudantes, produtores e agentes públicos. Também é a vitrine para o trabalho que realizamos em regulamentação, fiscalização federal e estadual, boas práticas no campo e outras frentes. O que buscamos é que nosso site institucional seja um espaço com informações seguras, atualizadas e de fácil entendimento sobre fitossanitários no Brasil e que reflita as ações da AENDA para que sejamos o principal ponto focal desse tema no País. Estamos no caminho certo.

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